Obesidade infantil: A culpa é da publicidade?

33% das crianças brasileiras têm excesso de peso, 15% já são obesas e até 2030 quase metade da população adulta estará acima do peso.


Ao ligar a TV, folhear revistas, navegar na internet, e principalmente ao entrar em supermercados ou lojas de conveniência, é fácil perceber o apelo visual e/ou sonoro do mercado publicitário destinado ao público infantil. 

Muitas cores, brindes, personagens, objetos colecionáveis e trilhas sonoras tentam ‘seduzir’ as crianças e influenciar o consumo de produtos ou serviços, desconsiderando a importância de uma alimentação saudável e balanceada. 

Segundo dados de uma pesquisa recente, 33% das crianças brasileiras têm excesso de peso, 15% já são obesas e até 2030 quase metade da população adulta estará acima do peso. A aprovação (ocorrida em maio de 2014) da Resolução 163 do Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), órgão ligado à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República — que considera abusiva a prática do direcionamento de publicidade e de comunicação mercadológica à criança e ao adolescente, com a intenção de persuadi-la para o consumo de qualquer produto ou serviço, abrangendo anúncios com linguagem, trilhas sonoras e distribuição de brindes em anúncios nas mídias como TV, sites, rádio, revista e jornal, assim como propagandas em embalagens e merchandising — visa reverter esse cenário, e traz à tona a questão da responsabilidade e das conseqüências negativas que esses estímulos podem trazer a longo prazo.

Para discutir mais o assunto, o GEN publica na íntegra o artigo de Flávia da Silva Santos, professora do curso de Nutrição do Centro Universitário Anhanguera de Niterói (UNIAN).


MARKETING DESTINADO AO PÚBLICO INFANTIL

Por Flávia da Silva Santos *


Segundo a Pesquisa de Orçamento Familiar, realizada entre 2008-2009 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, uma em cada três crianças brasileiras com idade entre 5 e 9 anos estão com peso acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde e pelo Ministério da Saúde.

Estudos estimam que 95% dos casos de excesso de peso em crianças estariam relacionados à má alimentação, os outros 5 % seriam resultado de fatores orgânicos. 
Em função de sua crescente influência e autonomia na escolha dos produtos adquiridos pela família, as crianças estão assumindo um papel cada vez mais importante nas decisões de consumo, o que as tornam um segmento de mercado cada vez mais visado nas estratégias de marketing das empresas de produtos manufaturados.

Pesquisas mostram ainda que crianças brasileiras influenciam cerca de 80% das decisões de compra de uma família. As categorias de produtos mais suscetíveis à influência infantil são os produtos alimentícios industrializados. Desses produtos, estão no topo da influência a compra de biscoitos e bolachas (87%), refrigerantes (75%), salgadinhos (70%), seguidos de achocolatados, balas, chocolates, iogurtes, macarrão instantâneo, cereais e sorvetes.

Tal fato é relevante, pois, os índices de crianças com sobrepeso acompanha o crescimento do volume investido no marketing infanto-juvenil pela indústria alimentícia.

Investigando a influência do marketing nas escolhas alimentares das crianças, as alunas do Centro Universitário Anhanguera de Niterói (UNIAN), Aline Andrade de Oliveira e Graziela de Almeida Pereira Lobo, sob a minha orientação, analisaram os rótulos de 22 produtos que apresentavam apelos atrativos ao público infantil (personagens, desenhos, brindes, etc). Dentre os alimentos foram revisados os rótulos de bolos industrializados, fast food, laticínios, cereais matinais, sucos prontos, empanados, bebidas achocolatadas, macarrão instantâneo, biscoitos recheados e salgadinhos.

O sódio esteve presente em quantidades excessivas (mais que 1,2 mg%), nas porções de bolos industrializados, sucos industrializados, bebidas achocolatadas, cereais matinais, empanados, salgadinhos, macarrão instantâneo e fast foods. Com relação ao biscoito recheado, se nos basearmos na rotulagem nutricional obrigatória recomendada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para crianças de 7 a 10 anos, a ingestão de todo o pacote fornece 96% da quantidade recomendada diária para sódio.

Notou-se alta densidade energética nas porções de bolos, biscoitos industrializados, cereais matinais, frangos empanados, salgadinhos, macarrões instantâneos, fast foods, que normalmente são consumidos em quantidades superiores as porções apresentadas nas tabelas de informações nutricionais desses alimentos. A densidade energética é definida como a caloria disponível por unidade de peso.

Os alimentos industrializados induzem ao consumo excessivo de calorias, pois apresentam alta densidade energética, alta palatabilidade, além do baixo custo, fácil acesso e alto marketing. A alta ingestão de energia desencadeia o desenvolvimento da obesidade e, consequente, eleva o risco de diversas outras doenças, como as cardiovasculares, diabetes e alguns tipos de câncer.

A análise dos ingredientes mostrou a presença de conservantes e edulcorantes (adoçantes) em sucos industrializados e gelatinas, que não é indicado para crianças que não apresentam diabetes.

Dentre os 22 alimentos analisados, 86,4% apresentaram alto teor de sódio, 45,4% apresentaram gordura saturada acima de 10% e, 63,6% se mostraram com alta densidade energética.

A rotulagem nutricional dos alimentos permite ao consumidor o acesso às informações nutricionais e aos parâmetros indicativos de qualidade e segurança do seu consumo.

Apesar da legislação brasileira de rotulagem de alimentos ser abrangente há ainda a necessidade de maior fiscalização para cumprimento das normas estabelecidas. Outro ponto a ser discutido é a adequação da informação nutricional presente nos rótulos à idade do público-alvo ao qual o alimento se destina.



Flávia da Silva Santos é professora do curso de Nutrição do Centro Universitário Anhanguera de Niterói (UNIAN)







Leitura do Mês:

Emagrecimento Permanente - Nutrição para uma Vida Saudável



O livro apresenta orientações nutricionais e comportamentais para a perda e a manutenção do peso, com base nas mais recentes recomendações de órgãos nacionais e internacionais.

Prática e objetiva, esta obra aborda ainda um método de controle da ingestão alimentar e um programa de reeducação nutricional com base no teor de fibras da dieta. Todo o conteúdo deste livro foi fundamentado no conceito de calorias inteligentes – provenientes dos alimentos ricos em fibras, vitaminas, minerais e compostos bioativos, e pobres em calorias biodisponíveis –, visando à total qualidade de vida, saúde e longevidade.

Onde encontrar: http://bit.ly/1wPPBn8


Sobre a autora


Manuela Dolinsky é doutora em Ciências pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-UNIFESP), mestre em Nutrição Humana pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), professora adjunta e coordenadora do Grupo de Pesquisa em Nutrição Funcional (GPeNF) da Faculdade de Nutrição da Universidade Federal Fluminense (UFF).



Ceia light de ano novo

Equilibre a balança antes da meia-noite


Por que esperar o próximo ano se você pode começar a se cuidar desde já? Essa é a pergunta que muitos deveriam responder. Depois dos excessos do Natal, diversas pessoas planejam mudanças para o ano novo. E perder alguns quilos  sem prejudicar a saúde faz parte da imensa lista de promessas, que quase sempre é esquecida após a meia-noite do dia 31 de dezembro.

O cardápio para Réveillon exige pratos especiais, sem deixar de lado a proposta espiritual da data. Muitos acreditam em simpatias e escolhem os pratos de acordo com o que cada alimento representa: lentilha (renascimento), peixe (boa sorte, abundância), uvas (dinheiro, ano afortunado), carne de porco (progresso, fartura), romã (esperança, fertilidade), entre outros, não podem faltar. 

Para provar que é possível reunir saúde e sabor na mesma mesa (inclusive durante as festividades!), o GEN conversou com o nutricionista, gastrônomo, professor e Chef especializado em cozinha internacional, Jean Phillipe Cintra Lafond. 

A vez da salada

Segundo o especialista, uma boa forma de ‘enganar’ o corpo é abusar das saladas, que são ricas em fibras e por isso reduzem o esvaziamento gástrico, aumentando a sensação de saciedade. “A ingestão de saladas evita os excessos quando chegamos ao prato principal. Com frutas, esse efeito e o sabor ficam ainda melhor!”. 
O Chef elaborou duas receitas de saladas muito saborosas. É só escolher e seguir as dicas para não errar:  

Couscous marroquino: leve, saudável e delicioso


Salada de couscous marroquino:
Rendimento: 3 a 4 porções

Ingredientes:
Couscous marroquino - 200g
Uvas passas - 50g
Tomate cortado em quadradinhos - 1 unidade
Abobrinha cortada em quadradinhos - 1 unidade pequena
Alho picado -1 dente
Cebolinha à gosto
Azeite extra virgem - 4 colheres de sopa
Sal e pimenta do reino à gosto


Preparo:
•Colocar 2 copos de água para ferver; depois de fervido, apagar o fogo e deixar de molho o  couscous marroquino por 15 minutos aproximadamente;

•Em uma frigideira, adicionar o azeite, dourar o alho picado, depois acrescentar todos os outros ingredientes e refogar por uns 2 minutos;

•Adicionar o couscous marroquino já hidratado e misturar muito bem até ficar bem homogêneo;

•Temperar com sal e pimenta a gosto e está pronto para servir.


Figos refogados para a salada natalina


Salada natalina
Rendimento: 3 porções

Ingredientes:
Alface americana - ½ unidade
Rúcula - 10 folhas
Maçã verde cortada em lâminas - 1 unidade
Figos frescos cortados em 4 - 2 unidades
Nozes picadas 20 a 40g
Castanha do brasil picadas 20 a 40g
Iogurte natural - ½ copo
Azeite - 3 colheres de sopa
Hortelã - 6 folhas
Açúcar à gosto para polvilhar


Preparo:
•Limpar e lavar as folhas; secar com cuidado e depois rasgar as folhas com as mãos em pequenos pedaços;

•Em uma frigideira, colocar um fio de azeite e deixar esquentar;

•Colocar as maçãs dispostas lado a lado, salpicar com um pouco de açúcar e deixar refogar ligeiramente. Saltear um pouco e reservar em um tigela para esfriar. Repetir o mesmo processo com os figos frescos (tomar cuidado para não desmanchá-los);

•Para o molho, misture o iogurte natural com o azeite e o hortelã picado grosseiramente;

•Em uma tigela grande para salada, misturar todos os ingredientes, deixar na geladeira por meia hora e servir.


Prato principal

“Escolhi como sugestão uma carne que todos gostam e tradicionalmente está nas mesas brasileiras no fim de ano: o porco!”, diz nosso entrevistado. 

Devido aos altos teores de gordura concentrados, ainda há muito pré-conceito com essa carne. Porém, Lafond afirma que o corte de filet mignon suíno possui uma quantidade de gorduras, praticamente igual ao do peito de frango (3g por 100g de carne). 

Grelhado em uma frigideira com pouca quantidade de óleo, é uma ótima opção de carne com baixo teor de gordura. “A carne normalmente já vem bastante limpa, dispensando maiores manuseios. Acompanhado com purê de maçãs se torna uma opção light bastante saborosa e muito refrescante.”, revela. Confira a receita:

Combinação perfeita


Filet mignon de porco com molho de romãs com uvas e purê de maçãs:
Rendimento: 4 porções

Ingredientes: 
Filet mignon de porco - 2 unidades
Azeite - 2 colheres
Maças (tipo red ou gala) - 5 unidades
Uvas verdes sem caroço - 20 unidades
Romã - 1 unidade
Sal e pimenta do reino à gosto
Manteiga - 1 colher de sopa

Preparo:
•Cortar o filet mignon em escalopes (pequenos bifes), temperar com sal e pimenta e reservar;

•Aqueça uma frigideira e coloque o azeite. Grelhe os bifes de porco com o cuidado para não queimar o fundo da frigideira. Reserve-os;

•Com a frigideira ainda no fogo, colocar 1 colher de azeite e refogar as uvas cortadas no meio e os caroços de romã. Refogar bem e tomar cuidado para não queimar a frigideira. Ao final, colocar 100 ml de água para deixar refogar;

•Temperar o molho com sal e um pouquinho de açúcar, colocar os filés grelhados dentro do molho e deixar ferver por 1 minuto. Apagar o fogo e reservar;

•Para o purê de maçãs, descasque-as e passe-as em um ralador grosso;

•Em uma panela pequena e com tampa, aqueça-a e coloque a manteiga para derreter. Coloque toda a maça ralada dentro da panela, tampe-a e abaixe o fogo. Mexa de vez em quando, até que as maçãs se desfaçam;

•Quando as maçãs formarem um purê, retire a tampa da panela e deixe o purê ganhar a consistência desejada;

•Tempere da maneira que mais gostar, podendo colocar um pouco de açúcar ou sal ou até mesmo canela.


Sobremesas light: esqueça o sorvete!

Todos sabem que sobremesas (além de deliciosas!) geralmente são hiper-glicêmicas Mas quem disse que não há opções menos calóricas?

“A rabanada light preparada no forno e a com pouco açúcar polvilhado, diminui consideravelmente a quantidade de calorias no prato. Evito sugerir sobremesas líquidas com grandes quantidades calóricas que são de fácil absorção, como o sorvete por exemplo. Prefiro indicar sobremesas ‘mastigáveis’ porque aumentam a saciedade, não se esquecendo de reduzir as calorias.”, explica Lafond. 

Para cumprir a promessa, ele conta como fazer, mas alerta que o consumo ideal seria apenas uma unidade de rabanada por pessoa.

Rabanadas de forno

Rabanadas de forno 
Rendimento: 4 porções

Ingredientes: 
Fatias grandes de pão de rabanada - 4 unidades
Ovo  - 1 unidade
Leite desnatado - o quanto baste
Açúcar à gosto
Manteiga - 2 colheres
Canela à gosto
Papel vegetal -1 folha

Preparo:
•Cortar o pão de rabanada em 4 fatias grossas;

•Embeber os pães cortados no leite, mas cuidado para não encharcar;

•Retirar o excesso de leite, passar no ovo batido e reservar;

•Em um tabuleiro, forre-o com o papel vegetal e unte o papel vegetal com uma boa camada de manteiga somente no local onde irá colocar os pães para assar;

•Disponha os pães em cima das camadas de manteiga e adicione algumas raspas de manteiga por cima de cada fatia de pão de rabanada;

•Polvilhe um pouco de açúcar em cima de cada pão e leve ao forno alto até que as rabanadas fiquem douradas;

•Depois que sair do forno, polvilhe um pouco mais de açúcar misturado com canela por cima e sirva.


  www.lafond.com.br

Jean Phillipe Lafond é Nutricionista, Gastrônomo e Chefe de Cozinha, especializado em Cozinha Internacional. Professor atuante em diversas Instituições de ensino como SENAC. Já trabalhou em linhas de pesquisas em Dietoterapia e Gastronomia na UFRJ, também na mesma teve o prazer de trabalhar em todo o escopo e implantação de área física do Curso de Bacharelado em Gastronomia da UFRJ. 
Atuou em diversos restaurantes e casas noturnas do Rio de Janeiro antes de descobrir sua verdadeira paixão pelo ensino e pesquisa. Trabalha em linha de pesquisa no HCTE – UFRJ com Sustentabilidade, Nutrição e Gastronomia. 
Hoje, além das aulas dedica-se a consultorias de novos projetos de implantação de área física para restaurantes, planejamento de cardápios, capacitação de mão de obra, empreendimentos gastronômicos, pesquisa em Nutrição e Gastronomia. 
Diretor da Emporium Carioca, empresa especializada em qualidade de produtos e serviços gastronômicos exclusivos. Diretor e colaborador direto da Associação de Nutrição do Estado do Rio de Janeiro – Anerj (gestão 2013 – 2015).

Confira o site: www.lafond.com.br 
Site da empresa: www.emporiumcarioca.com






Leitura do Mês:

Bela Cozinha – As receitas



Bela Gil vai além das dicas culinárias e convida os leitores a uma reflexão sobre hábitos alimentares e mudanças simples que fazem a diferença.

Contrariando o mito de que comida saudável é sem graça, Bela Gil mostra que é possível se alimentar de forma equilibrada, privilegiando ingredientes naturais, sem perder o sabor. Bela cozinha – as receitas ensina a fazer 50 pratos deliciosos, alguns apresentados em seu programa no GNT e outros selecionados especialmente para esta edição. As receitas são divididas em categorias: sopas e mingaus; legumes e folhas verdes; petiscos; dia-a-dia; molhos e sobremesas. Independente das suas preferências, você encontrará algo para satisfazer seu apetite.  

Todas as receitas são acompanhadas por um comentário, no qual Bela detalha as propriedades dos ingredientes. Algumas são exclusivas para este livro, como bolinho de arroz integral, falafel e canja de galinha caipira. Além do preparo de cada prato, você descobrirá que a couve é rica em antoxidantes e ajuda na desintoxicação do organismo, que o feijão-fradinho é muito rico em ferro e cálcio e, assim, poderá incorporá-los a outras receitas, tornando sua dieta rica em nutrientes. 

Além das informações de rendimento e tempo médio de preparo, você encontrará ícones que sinalizam se a receita é vegana, vegetariana ou sem glúten. No entanto, Bela defende o equilíbrio, e não deixa de fora receitas com carnes e até mesmo frituras, como tempurá de legumes. “Acredito que todo tipo de comida feita em harmonia com a natureza tem seu valor e lugar na dieta. Critério, respeito e consciência são a chave para uma boa alimentação”, explica a autora.

As sobremesas são um exemplo de que a vida pode ser doce sem açúcar refinado ou adoçantes. Faça bolos com farinha integral, musse de chocolate com melado de cana, cookies integrais. “Uma vez que a pessoa ganha consciência alimentar, pode fazer qualquer receita, porque sempre vai achar um jeito de adaptá-la à sua própria necessidade”. 

Mais do que um livro de receitas, Bela Cozinha convida à reflexão sobre nossos hábitos alimentares e traz dicas sobre como pequenas mudanças podem fazer uma grande diferença. 

Onde encontrar: http://glo.bo/1FCg7Ys


Sobre a autora



Bela Gil descobriu a prática de yoga na adolescência e passou a se interessar pelos benefícios físicos e mentais da culinária saudável. Aos 18 anos se mudou para Nova York. Tendo que cozinhar e querendo manter uma vida saudável, Bela resolveu se aprofundar no mundo da culinária e nutrição. Estudou Culinária Natural no Gourmet Institute e formou-se em Nutrição e Ciência dos Alimentos pela Hunter College. De volta ao Brasil, tornou-se apresentadora do programa “Bela Cozinha”, exibido pelo canal GNT, que está em sua segunda temporada.




Orgânicos, Funcionais, Transgênicos e Termogênicos: conheça as diferenças entre os alimentos.

Com a crescente procura pela boa forma aliada à saúde, diversas nomenclaturas ligadas aos alimentos surgem, e podem confundir o seu paciente.


A busca por um estilo de vida saudável começa por uma alimentação balanceada. Para falar sobre a diferença entre os alimentos orgânicos, funcionais, transgênicos e termogênicos, o GEN conversou com a nutricionista Joiciara Garcia Caroni, que explica o assunto aqui no blog.


Alimentos orgânicos      
Foto: Fabio Mangabeira
 

Segundo a nutricionista, alimentos orgânicos são produzidos sem o uso de defensivos agrícolas, e todos eles são obrigados a possuir um selo de certificado constando “produto orgânico” no rótulo. Para isso, 5% dos ingredientes contidos no alimento devem ser considerados não orgânicos, e descritos pelo produtor.  No início deste ano, o Governo Federal criou o selo de identificação do “Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica", a fim de controlar a produção e comercialização dos produtos orgânicos nacionais.

Alimentos funcionais são nutritivos e oferecem vários benefícios à saúde

Alimentos funcionais são aqueles que, além de fornecerem nutrientes, têm propriedades benéficas ao organismo. É importante que tais substâncias estejam presentes em quantidades suficientes e adequadas (sem excessos!), para produzir o efeito fisiológico desejado, como por exemplo ômega 3, ácido linoleico, polifenóis, etc. Pesquisas  relacionam o consumo desses alimentos à prevenção de doenças cardíacas, câncer, envelhecimento, problemas intestinais e até sintomas da menopausa.

Já os alimentos funcionais modificados geneticamente sofrem alterações no seu código genético, sendo inseridos genes provenientes de outro organismo. Esse procedimento pode ser feito até mesmo entre organismos de espécies diferentes (inserção de um gene de um vírus em uma planta, por exemplo). O procedimento pode ser realizado com plantas, animais e micro-organismos. 

São alguns exemplos: soja, linhaça, nozes, aveia integral, peixes, chá verde, alho, maçã, manga, cenoura, abóbora, tomate, entre outros.


Alimentos termogênicos aceleram o metabolismo

Os alimentos termogênicos apresentam maior nível de dificuldade na digestão, pois o organismo necessita de maior quantidade de energia e caloria para realizar o processo. Tais alimentos induzem o metabolismo a trabalhar com ritmo acelerado, gastando assim, mais calorias. Considerados termogênicos,  alimentos e bebidas como gengibre, canela, café, mate, pimenta e chá verde aceleram o metabolismo e induzem à perda de peso.

Mas qual seria o mais indicado para uma alimentação saudável? Para Joiciara, em relação aos alimentos modificados geneticamente há poucas pesquisas que provem seus malefícios ao organismo, mas ela não tem dúvidas que os melhores alimentos para consumo são os orgânicos, pela isenção de agrotóxicos (grandes causadores de neoplasias), apesar da aparência robusta e preços superiores. Os termogênicos, diz a nutricionista, devem ser consumidos com cautela e sempre com orientação da nutricionista, pois todo excesso acarreta prejuízos ao organismo.

E será que existe algum alimento mais nutritivo? “Vai depender da sua forma de preparo. Sabemos que pela cocção se perde muitas vitaminas e minerais. Por isso,  a melhor forma a ser consumida é in natura. Claro que devemos avaliar individualmente cada tipo de alimento. Em alguns casos, o cozimento é necessário para eliminar fatores antinutricionais. Um exemplo é o efeito tóxico do ácido oxálico no organismo, que deve-se à formação de oxalato de cálcio na urina e ao aumento do risco de formação de cálculos renais, além de diminuir  a disponibilidade do cálcio para realização de numerosos processos fisiológicos. O oxalato está presente em grande quantidade nos alimentos de origem vegetal, sendo o espinafre e o ruibarbo considerados alimentos de alto risco, pois apresentam grande concentração de oxalato biodisponível", explica.




Nutricionista Joiciara Garcia Caroni


Formada pela  FUNEC - Faculdades Integradas de Santa Fé do Sul, é responsável pelo Serviço de Nutrição e Dietética e parte Clinica na Área Hospitalar do Hospital São Lucas  - Fundação Luverdense de Saúde, em Mato Grosso (MT)

Leitura do Mês:

Nutrição Clínica - Bases para Prescrição



O ser humano passa por diferentes fases durante sua existência e cada uma delas apresenta características próprias que nos tornam únicos. Desde o momento da fecundação, a nutrição é um elemento básico para a manutenção da vida, que requer quantidade e qualidade adequadas de nutrientes.


Organizado pelas nutricionistas Nelzir Trindade Reis e Larissa Calixto-Lima, Nutrição Clínica - Bases para Prescrição traz os conceitos fundamentais desta área de atuação e tem como objetivos, entre outros: manter ou recuperar o estado nutricional do indivíduo; prevenir as alterações nutricionais e/ou outras enfermidades; contribuir para o tratamento de patologias ou curá-las; contribuir para que o agente medicamentoso tenha sua ação plena, mais rápida ou não, de acordo com a necessidade do indivíduo; evitar as alterações nutricionais e/ou patológicas decorrentes do uso dos diversos tipos de fármacos, e promover a educação nutricional. 

O diferencial desta publicação é a inédita abordagem, ampla e completa dos métodos de avaliação nutricional, além da proposta do diagnóstico nutricional conclusivo.

A médica e nutricionista Nelzir T. Reis explica o que a motivou a organizar a obra:"Sempre tive a vontade de escrever o livro sobre a prescrição. Na década de 90, quando publicamos o livro sobre Hipertensão, essa luz se acendeu mais forte. Conversamos com a Editora Rubio que mostrou interesse em publicar o livro e  contactamos colegas para colaborarem. Finalmente, conseguimos organizá-lo em conjunto com Larissa Calixto-Lima, tendo como revisora técnica Monique Bitteti Pedruzzi. Paralelamente, publicamos os livros: Nutrição Clínica- Sistema Digestório em 2003; Nutrição Clínica-Alcoolismo (coautoria com Claudia dos Santos Cople) em 2003; de Nutrição Clínica-Interações em 2004 e o de Interpretação de Exames Laboratoriais aplicada à Nutrição Clínica (organização em conjunto com Larissa Calixto-Lima) em 2012".

O livro apresenta os fundamentos da conduta dietoterápica tomando por base:

*O diagnóstico, o quadro clínico e as complicações apresentadas pelo paciente;
*Os fármacos em uso e suas interações com os nutrientes, bem como seus efeitos colaterais;
*Os dados da avaliação nutricional criteriosa com o objetivo de detectar deficiências nutricionais em estágios precoces e proporcionar dados para o planejamento da conduta dietoterápica;
*Os objetivos do tratamento dietoterápico para o paciente em questão;
*As modificações físicas e químicas que os alimentos podem sofrer, assim como os métodos de alimentação;
*Os vários tipos de fórmulas disponíveis para se eleger a mais adequada para o paciente;
*Os fatores emocionais (medo e ansiedade), psicológicos (negação, regressão e racionalização), patológicos (expectativa de vida) e sociais (vida inativa e discriminação social).

Onde encontrar: http://bit.ly/1wFPHA9


Sobre as Organizadoras:


 Nelzir Trindade Reis

Nutricionista e Médica. Coordenadora de Nutrição Clínica do Ambulatório 20 (Clínica Médica, Endocrinologia e Nutrição) da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro. Professora Adjunta de Nutrição Clínica da Universidade Veiga de Almeida (UVA), RJ. Acadêmica Titular da Academia Brasileira de Administração Hospitalar (ABAH).


Larissa Calixto-Lima



Nutricionista da Unidade de Cuidados Paliativos do instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA-HC-IV), RJ. Mestranda em Nutrição pelo Instituto de Nutrição da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Especialista em Nutrição Clínica (Cirurgia Geral e Transplante Hepático) e Especialista em Terapia Nutricional Parenteral e Enteral.