Nutricionista desmistifica o vegetarianismo

O Grupo Executivo de Nutrição vai apresentar esse mês uma reportagem especial sobre vegetarianismo. Nós conversamos com a Nutricionista Clínica e Personal Diet Lilianne Medeiros para saber de que forma as pessoas podem deixar de consumir carne sem prejudicar o organismo. Também batemos um papo com a estudante Daniele Miranda, que há mais de sete anos optou por não consumir esse tipo de alimento. Confira. 

A nutricionista Lilianne Medeiros

Grupo Executivo de Nutrição (GEN): Algumas pessoas dizem que a carne vermelha intoxica o organismo. Qual a quantidade e quantas vezes por semana ela pode ser consumida? 

Lilianne Medeiros: "O excesso de carne vermelha, assim como o de outros alimentos, pode ser prejudicial ao organismo. Deve-se evitar carnes com capa de gordura e preferir consumir cortes magros (exemplo: patinho, coxão duro) até duas vezes na semana. O importante é ter uma alimentação variada. Pode-se substituir a carne vermelha por carne de frango, ovo ou peixe no decorrer da semana e evitar sempre as preparações fritas."


GEN: Qual a diferença entre o organismo de uma pessoa que consome carne e uma que é vegetariana? 

LM: "Não comer carne ou alimentos de origem animal é só um detalhe na alimentação. Um vegetariano pode ter uma alimentação saudável quando há um acompanhamento do seu estado de saúde (exames de sangue periódicos) e da sua dieta. Um vegetariano vegano (ou seja, que não consome nenhum alimento de origem animal) tende a não ter muitos prejuízos com excesso de gordura saturada no organismo, porém isso não é um “atestado de saúde”. Ele pode ter uma alimentação também repleta de erros, carências e excessos, assim como uma pessoa que consome carne e alimentos de origem animal. O segredo sempre é a alimentação equilibrada."



GEN: A alimentação vegetariana pode fazer mal em algum momento? A pessoa pode ficar desnutrida? 

LM: "A pessoa pode ter carência de alguns nutrientes, como proteínas de boa qualidade e absorção, vitamina B12 (principalmente os veganos) e ferro. Deve-se garantir ao vegetariano o bom aporte desses nutrientes por meio de uma alimentação balanceada e suplementação. Para melhorar a absorção do ferro, é importante incluir alimentos ricos em vitamina C nas principais refeições, como frutas cítricas ou suco destas (exemplo: laranja, acerola, limão, morango, caju). Também merece atenção a questão das fibras, que podem estar sendo consumidas em grande quantidade. O excesso de fibras pode atrapalhar a absorção de alguns minerais e causar distensão e desconforto abdominal."

GEN: Quais são as opções de comida vegana que substituem a carne sem que a pessoa perca os nutrientes necessários? 

LM: "É muito importante buscar a orientação de um nutricionista para atingir as necessidades nutricionais adequadas, evitando carências. Leguminosas, como soja, ervilha, lentilha, feijões e grãos integrais são fontes alternativas de proteínas para os vegetarianos veganos. Já aqueles que consomem leite e derivados e/ou ovos obtêm proteínas também desses alimentos. As leguminosas são ainda fontes de ferro, além dos vegetais verde-escuros (couve, brócolis, espinafre, folha de beterraba, folha de couve-flor). Lembrando que consumi-los juntamente às frutas cítricas auxilia a absorção desse mineral. A vitamina B12 deve ser suplementada no caso de vegetarianos veganos, pois está presente apenas em alimentos de origem animal."

A estudante Daniele Miranda

Daniele Miranda há sete anos não come carne 
Algumas pessoas acabam tornando-se vegetarianas por conta do amor pelos animais. Esse é o caso, por exemplo, da estudante Daniele Miranda, uma das fundadoras da União Libertária Animal (ULA), um grupo independente para estudar e difundir os direitos dos animais e o veganismo. Há sete anos ela parou de comer carne depois de assistir ao documentário Terráqueos (Earthlings), que relata a forma como os animais são abatidos para o consumo humano. 
“Sempre gostei muito dos animais, mas achava que consumi-los era algo normal. Quando uma nova amiga vegetariana me questionou ‘Você ama, assassina, fatia e come?’, foi a primeira vez que percebi que algo estava errado e que o vegetarianismo era possível e necessário”, declarou Daniele. “Quando assisti ao vídeo com aquele sofrimento ocorrido longe de nossos olhos, decidi não mais fazer parte dessa exploração e parei de comer animais. Eu expandi meu círculo de consideração moral, antes limitado a cães e gatos.” 

Para a estudante não consumir carne vai muito além da causa animal: “Além das questões de saúde e do meio ambiente, não comer animais é mostrar que você não os vê como propriedade. É um ato político e ético contra a opressão justificada pela espécie. De acordo com essa concepção, e conforme fui me informando nas mídias sociais e lendo artigos e livros como Jaulas vazias do filósofo Tom Regan, percebi que o problema não estava apenas na carne, mas em ovos, leite e qualquer outra atividade que se apropriava da vida dos animais para transformá-los em coisas para usarmos. Há sete anos não tomo remédios pois não fiquei doente nesse tempo, resfriados foram poucos e passaram rápido, e a suplementação de B12, que é a única substância que o corpo não produz e não encontramos em alimentos vegetais, ainda estou devendo, mas começarei ainda esse ano. Alguns dizem que se tem que suplementar, não é algo natural, mas diante de tantas coisas que fazemos e ingerimos que não é natural, apontar para esse detalhe é desculpa infundada para se eximir da responsabilidade de mudar e fazer escolhas éticas", declarou. 



Agenda de Eventos 2013


O ano de 2013 já começou e com ele a expectativa para grandes eventos nas áreas de nutrição, gastronomia e alimentação. Enquanto o NutriGEN 2013 não chega, que tal anotar na sua agenda os próximos eventos? O Grupo Executivo de Nutrição – GEN preparou para você uma lista com os principais simpósios, congressos e workshops. 

Confira:

I Simpósio Brasileiro de Saúde e Nutrição
III Semana Acadêmica de Nutrição
Data: 28 de fevereiro a 2 de março de 2013
Local: Universidade Federal do Tocantins - Palmas - TO
Informações: (63) 8126-6652 - simposiosaudenutricao@uft.edu.br

I Congresso de Nutrição da Bahia - I CONUTRI
Data: 6 a 9 de março de 2013
Local: Feira de Santana - BA 
Informações: (75) 8120-3815 - connutri@hotmail.com.br

Tecno Alimentos Expo 2013 
Data: 8 a10 de março de 2013
Local: Centro de Negócios Sebrae – Fortaleza - CE
Informações: www.expotecnoalimentos.com



Super Rio Expo Food
Data: 19 a 21 de março de 2013
Local: Riocentro – Rio de Janeiro - RJ
Informações: www.superrio.com.br

Food Hospitality World
Data: 25 a 27 de março de 2013
Local: Transamérica Expo Center – São Paulo - SP
Informações: www.fhwbrasil.com.br

Vita foods South America
Data: 26 e 27 de março de 2013
Local: Transamérica Expo Center – São Paulo - SP
Informações:www.vitafoodssouthamerica.com


6º Congresso Latino Americano de Gastronomia e Nutrição
Data: abril de 2013
Local: São Paulo
Informações: www.sbgan.org.br

Olive Experience 2013
Expovinis 2013
Data: 24 a 26 de abril de 2013
Local: Expo Center Norte – São Paulo – SP
Informações: www.exponor.com.br


COINE 2013 - II Congresso Internacional de Nutrição Especializada & Expo sem Glúten
Data: 26 e 27 de abril
Local: Colégio Brasileiro de Cirurgiões - Rio de Janeiro - RJ
Informações: (21) 8070-0203 - analucia@unicongressos.com.br - www.unicongressos.com.br



29º Congresso e Feira de Negócios em Supermercados – APAS 2013
Data: 6 a 9 de maio de 2013
 Informações: www.feiraapas.com.br


XXI º Encontro de Nutrição da Unirio: Tendências e Desafios de Alimentação e Nutrição
70 Anos da Escola de Nutrição
Iº Simpósio de Alimentos e Nutrição
IV Forum Universidade, Fome e Cidadania
Data: 8 a 10 de maio de 2013
Local: Escola de Nutrição Unirio – Av. Pasteur, 296 – Urca – Rio de Janeiro - RJ
Informações: www.nutricao.unirio.br/

7º Congresso Paulista de Nutrição
Data: 16 a 18 de maio de 2013
Local: São Paulo 
Informações: (11) 3255-2187 - www.apanutri.com.br

NRA SHOW 2013
Data: 18 a 21 de maio de 2013
Local: Chicago - USA
Informações: (11) 2973-4057 ou 3285-2015

1º Congresso Multidisciplinar em Oncologia
Data: 21 e 22 de junho de 2013
Local: Hotel Deville - Porto Alegre - RS 
Informações: www.icmd2013.com.br



V Congresso Brasileiro de Nutrição Integrada - CBNI e GANEPÃO 2013
Data: 19 a 22 de junho de 2013
Local: Centro Fecomercio de Eventos - Bela Vista - São Paulo - SP
Informações: www.ganepao.com.br


29ª Feira Internacional de Produtos e Serviços para Alimentação Fora do Lar – Fispal Foodservice 2013 
Sial Brazil 2013
Data: 25 a 28 de junho de 2013
Local: Expo Center Norte – São Paulo – SP
Informações: http://www.informagroup.com.br/site/hotsite.asp?IdEvento=186


20ª Feira Internacional da Panificação, Confeitaria e do Varejo Independente de Alimentos - FIPAN 2013
Data: 22 a 25 de Julho de 2013
Local: Expocenter Norte - São Paulo - SP
Informações: (11) 3159-4223 - fipan@fipan.com.br - www.fipan.com.br

NutriGEN 2013
Data: agosto de 2013
Local: a definir
Informações: www.facebook.com/eventonutrigen



CBNE 2013 - Congresso Brasileiro de Nutrição e Envelhecimento - XV Jornada de Inverno da SBGG RS 
Data: 5 a 7 de setembro de 2013
Local: Centro de Convenções do Hotel Plaza São Rafael - Porto Alegre - RS
Informações: www.cbne2013.com.br


51ª Feira Internacional de Equipamentos, Produtos e Serviços para Hotéis, Flats, Motéis, Restaurantes, Fast-Foods, Lanchonetes, Cozinhas Industriais, Hospitais e Similares - NOVA EQUIPOTEL 2013
Data: 16 a 19 de Setembro de 2013
Local: Pavilhão de Exposições do Anhambi – São Paulo – SP
Informações: (11) 5574-5166 – feiras@equipotel.com.br – www.equipotel.com.br


Mega Evento Nutrição 2013 
14º Congresso Internacional de Nutrição, Longevidade e Qualidade de Vida
14º Congresso Internacional de Gastronomia e Nutrição
1º Congresso Multidisciplinar de Nutrição Esportiva
9º Fórum Nacional de Nutrição
8º Simpósio Internacional da American Academy of Nutrition and Dietetics (USA)
6º Simpósio Internacional da Nutrition Society (United Kingdom)
6º Simpósio Internacional do Le Cordon Bleu (França)
1º Simpósio Internacional de Gastronomia Molecular (França)
14ª  Exposição de Produtos e Serviços em Alimentação e Nutrição. 
Data: 3 a 5 de outubro
Local: São Paulo - SP
Informações: www.nutricaoempauta.com.br


Congresso da Sociedade Brasileira de Diabetes 2013 

Data: 9 a 12 de outubro 2013
Local: Centro de Convenções Centro Sul - Florianópolis - SC
Informações: www.diabetes.org.br


Nutrição, gastronomia e alimentação cada vez mais próximas


Em nossa primeira reportagem de 2013 vamos abordar um tema que gera muita dúvida e muita discussão tanto em sala de aula quanto no mercado de trabalho. Afinal profissionais de nutrição, gastronomia e alimentação podem trabalhar nas mesmas profissões? Por que assuntos tão semelhantes são separados em três áreas?


O Grupo Executivo de Nutrição ouviu a nutricionista e professora Cristina Lontro sobre o assunto. Confira na entrevista abaixo. 

Grupo Executivo de Nutrição: Vivemos em um mundo globalizado onde várias profissões unem-se por pontos em comum. Qual os principais pontos que aproximam nutrição e gastronomia?

Cristina Lontro: O prazer em trabalhar com alimentação. Ao meu ver a gastronomia e a nutrição se complementam.

GEN: O que difere nutrição e gastronomia?

CL: Nutrição é ciência. Nutrição visa a saúde, foca a alimentação do dia a dia a fim de nutrir o indivíduo. A gastronomia visa o prazer, a alimentação como deleite.



GEN: Gastronomia é um curso tecnólogo em algumas universidades enquanto que nutrição é um curso de graduação. Por que isso ocorre? Qual a principal diferença entre as grades curriculares?

CL: Se não estou enganada, a Gastronomia só é graduação na UFRJ. Os cursos tecnológicos são cursos mais direcionados para o mercado de trabalho. São cursos mais curtos , em média 30 meses com o foco na profissionalização do indivíduo.

GEN: Como o candidato pode decidir entre nutrição e gastronomia?

CL: São duas profissões com focos diferentes. A nutrição é mais teórica, mais técnica e a gastronomia mais prática. Além disso , a nutrição tem um leque de opções de atividades que podem vir a desenvolver tais como saúde pública, dietoterapia coisas que o profissional de gastronomia não tem nenhum acesso. Na realidade o profissional de gastronomia é basicamente um cozinheiro.




GEN: Quais são as expectativas para o mercado de trabalho nas áreas de nutrição e gastronomia para 2013?

CL: Todos os dias empreendimentos são inaugurados, onde são necessários um grande número de profissionais. O nutricionista felizmente está saindo de seu casulo e ganhando espaço no mercado de food service. Com certeza o mercado é muito amplo e tem espaços para todos os profissionais. Com os grandes eventos que estão por ocorrer no Brasil, colocação profissional é o que não vai faltar.

Exemplos da atuação dos dois profissionais no mercado
Restaurantes comerciais: nutricionista normalmente faz controle de qualidade e gastrônomos atuam na cozinha.

Restaurantes industriais: nutricionistas fazem toda a parte gerencial e os gastrônomos atuam com consultores.

Restaurantes hospitalares: nutricionistas fazendo a prescrição dietética e os gastrônomos atuando na cozinha.

Calendário de reuniões do GEN em 2013


O Grupo Executivo de Nutrição – GEN inicia 2013 com muito trabalho, na expectativa de fazer cada vez mais ações em prol dos profissionais das áreas de nutrição, alimentação e gastronomia. Aproveitamos a mensagem para divulgar o nosso calendário de reuniões para os próximos meses:

Janeiro - 15

Fevereiro - 19 (Local: CRN-4)

Março - 12

Abril - 16

Maio - 14

Junho - 11

Julho - 09

Agosto - A definir

Setembro - 10

Outubro - 08

Novembro -  12

Dezembro - 10

Locais, horários, temas para debate e convidados serão divulgados com antecedência em nosso blog. Portanto, fiquem ligados!

A gente colhe o que planta: nutrição sustentável

Sustentabilidade é a palavra do século. Não estamos falando do futuro, mas sim do presente. A agropecuária brasileira é uma das mais sustentáveis do mundo e um exemplo para os outros países. A EMBRAPA listou as principais ações que estão fazendo a diferença:


Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN)


Realizada por bactérias presentes no solo, ou adicionadas via inoculantes, que se associam às plantas, geralmente às raízes, captam e transformam o nitrogênio do ar. Essa tecnologia, que envolve o uso de bactérias fixadoras de nitrogênio, gera maior rendimento na produção, ajuda a recuperar áreas degradadas, melhora a fertilidade do solo e a qualidade da matéria orgânica, reduz o uso de insumos industriais na agricultura e contribui para reduzir a emissão de gases de efeito estufa (GEE). Hoje, 100% das plantações de soja no Brasil se beneficiam da FBN. E, com mais pesquisa e maior adoção pelo setor produtivo, até 2020 é possível reduzir a fertilização química nitrogenada em 80% a 100% no feijoeiro, em até 100% para diversas leguminosas de grãos e forrageiras, até 50% na cana-de-açúcar, até 40% no milho e trigo e até 20% no arroz.


Tratamento de resíduos animais


O tratamento da matéria orgânica produz resultados como o biogás para geração de energia e o biofertilizante para adubação das plantações, podendo substituir os fertilizantes químicos. Esse processo possibilita melhoria das condições ambientais das propriedades rurais, economia com energia elétrica e mais segurança alimentar, pois reduz o uso de fertilizantes químicos, substituídos pelo adubo orgânico. E ainda contribui para a redução de emissão de gases de efeito estufa (GEE).


Agroenergia


Trata da fabricação e uso dos diversos tipos de biocombustíveis que têm origem em atividades no meio rural, como a produção agrícola, a pecuária e a florestal. São eles o etanol, o biodiesel, o biogás e outros derivados de biomassa e de resíduos da produção, que podem também gerar bioeletricidade. A principal vantagem da agroenergia, em termos mundiais, é a redução da emissão de gases de efeito estufa (GEE), já que, diferentemente do petróleo e do carvão mineral, as matérias-primas dos biocombustíveis consomem e retêm gás carbônico.


Sistema Plantio Direto (SPD)


É um dos mais eficientes e sustentáveis sistemas de produção agropecuária em adoção na atualidade. É implantado a partir de três princípios: não arar ou gradear o solo antes do plantio, mantê-lo coberto com restos vegetais ou plantas vivas durante o ano e promover a rotação das culturas plantadas. Entre outros benefícios, minimiza a perda de solo pela erosão, possibilita a conservação e a melhoria dos atributos físicos, químicos e biológicos do solo, aumentando a sua matéria orgânica, reduz a necessidade de mecanização e o gasto de energia e favorece a redução de custos de produção. Permite ainda a produção de água limpa, uma vez que o solo protegido favorece a infiltração e a recomposição do lençol freático, um importante serviço ambiental. O Brasil é líder em produção agrícola com esse sistema, graças ao empenho, ao empreendedorismo e à capacidade de inovação do agricultor brasileiro, que, com apoio da pesquisa e assistência técnica, promoveu uma expansão da adoção do sistema em todos os biomas. Por exemplo, esse sistema já é adotado em mais de 50% das lavouras de grãos no Brasil. 


Florestas

O uso sustentável das florestas é um grande desafio para o mundo e também para o Brasil, que possui a segunda maior área florestal do planeta e a maior área coberta com floresta tropical. Por meio da pesquisa e adoção do manejo florestal sustentável (MFS), o País tem dado grandes passos para modificar a exploração tradicional e predatória. São procedimentos técnicos e de gestão que visam a geração de renda para o produtor com impactos positivos no meio ambiente. Uma alternativa para a sustentabilidade das florestas nativas é a das florestas plantadas, que trazem benefícios ecológicos, evitando a pressão sobre florestas naturais e gerando empregos: mais de 2 milhões, em dados de 2008. Em 10 anos, o Brasil pode mais do que duplicar sua área de florestas plantadas, que hoje ocupa menos de 1% do território nacional, fortalecendo o foco do seu desenvolvimento numa economia verde e contribuindo para a melhoria do ambiente global e para compromissos nacionais relacionados ao sequestro de carbono.


Inclusão Produtiva e Social


O IBGE mostra que, em 2010, 8,5% da população brasileira - cerca de 16 milhões de pessoas - viviam em condições de extrema pobreza. Dessas, 53,3% estavam nos centros urbanos e 46,7% no meio rural. Em 2009, somavam-se mais de 30% dos domicílios com insegurança alimentar - quase 68 milhões de pessoas -, 5% dos quais em estágio grave. O desafio para erradicar a pobreza é retirar essa população de tal condição, por meio de inclusão produtiva e social. A agricultura familiar é uma alternativa, pois é instrumento de desenvolvimento socioeconômico. Pelo Censo Agropecuário Brasileiro de 2006, a agricultura familiar abrangia 84,4% do campo, absorvendo 74,4% da mão de obra - cerca de 12 milhões de pessoas -, com uma produção que abastece o mercado interno de alimentos e de matérias-primas. A pesquisa agropecuária busca alternativas para contribuir com a erradicação da pobreza por meio do desenvolvimento de produtos e processos para pequenos produtores, além de estratégias e projetos de políticas públicas. São inovações para melhorar as condições de produção, ganho de escala e geração de renda na agricultura familiar.


Sistemas de produção Sustentável 


A agricultura brasileira avançou de forma segura na direção da sustentabilidade ao longo das últimas décadas. Entre as alternativas de Sistemas de Produção Sustentável destacam-se a Agricultura Orgânica, Produção Integrada Agropecuária, Aquicultura, Produção Agroflorestal e a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF), além de várias outras. O Brasil é o 4º maior produtor em Agricultura Orgânica, que vem crescendo 20% ao ano. Prioriza o uso de recursos naturais renováveis disponíveis localmente e faz uso de tecnologias que visem à conservação ambiental e da biodiversidade. Com a Produção Integrada (PI-Brasil), todas as etapas produtivas são acompanhadas para assegurar o processo sustentável. Da colheita até o comércio, os produtos são rastreados, de forma a preservar seus nutrientes, qualidade e segurança para a saúde. O resultado disso é a certificação PI-Brasil. Já na Produção Aquícola, ou Aquicultura, trabalha-se a criação racional e controlada de organismos aquáticos, como peixes, tartarugas, camarões, mexilhões e outros, de forma a não comprometer a biodiversidade e os recursos naturais. Para a FAO, a aquicultura é o único tipo de produção de alimentos que cresce mais que a população mundial. Hoje, já abastece 50% do mercado de pescado no mundo.


Integração lavoura-pecuária-floresta (iLPF) 


Uma das mais importantes estratégias para uma produção agropecuária sustentável, já que possibilita que as atividades agrícolas, pecuárias e florestais sejam integradas na mesma área. Os benefícios dessa tecnologia são a redução da pressão por desmatamento, a diversificação na renda do produtor rural e a diminuição das emissões de gases de efeito estufa (GEE). A iLPF gera ainda melhorias no solo, equilibra a utilização dos recursos naturais e mantém a qualidade da água. Estima-se que com a adoção da tecnologia é possível duplicar a produção de grãos e de produtos florestais e triplicar a produção pecuária nos próximos 20 anos, apenas com a recuperação de pastagens degradadas e sem a necessidade de desmatamento. Com seu uso, ganham a economia, o produtor e o planeta.


Água e solo


Danos causados ao meio ambiente são consequências de desmatamento, queimadas, redução da biodiversidade, emissão de gases de efeito estufa, mudanças climáticas, uso indiscriminado de agroquímicos, degradação do solo e diminuição da disponibilidade e poluição da água. Para mudar esse cenário, alternativas sustentáveis buscam melhorar a forma de manejar o solo e a água. As soluções tecnológicas amenizam os impactos negativos das atividades agropecuárias mantendo os atributos físicos, químicos e biológicos do solo e possibilitando a manutenção da água limpa e abundante. 


Biodiversidade, agrobiodiversidade e agroecologia


Usar a biodiversidade adequadamente, aproveitando sua capacidade de gerar produtos e serviços, é produzir considerando a conservação e o manejo de espécies de plantas, animais e microrganismos nativos. A agrobiodiversidade, interação entre ambiente, recursos genéticos e sistemas de gestão e práticas, resulta em formas de uso da terra e água para a produção. A agroecologia estuda as funções e interações dos agroecossistemas, da biodiversidade funcional, dos recursos naturais e dos saberes locais. Sistemas agroecológicos relacionam-se com a agrobiodiversidade, em um processo de interações entre aspectos socioculturais, manejo ecológico e integrado.


Gestão Ambiental e Territorial 


Visa determinar o local exato, em todas as regiões brasileiras, onde cada atividade agrícola pode expressar sua máxima capacidade produtiva de maneira sustentável. Todos os municípios do Brasil possuem indicações do Zoneamento Agrícola. Os benefícios são inúmeros, como melhor orientação na hora do plantio, distribuição regional do crédito rural em função das datas de plantio, redução das perdas agrícolas e aumento da produtividade de forma indireta. Tudo isso impacta a economia brasileira e, ao mesmo tempo, mostra, por meio de métodos científicos conhecidos, que é possível aumentar a produtividade das culturas sem degradação ambiental.


Recuperação de pastagens degradadas


O Brasil tem aproximadamente 180 milhões de hectares de pastagens, dos quais mais da metade estão em algum estágio de degradação, sendo boa parte já em estágio avançado. A recuperação dessas áreas é fundamental para a sustentabilidade agropecuária e florestal. Existem soluções técnicas para reverter este quadro, como a integração de sistemas produtivos.


O papel do Nutricionista


Os profissionais das áreas de nutrição, alimentação e gastronomia também podem contribuir para um planeta mais sustentável por meio do incentivo ao consumo de alimentos nas formas mais naturais e produzidos localmente. Além disso, só eles tem o poder para estimular mudanças de hábitos alimentares para a redução do risco de ocorrência de doenças. E cada vez mais, eles têm valorizado a produção e o processamento de alimentos com o uso de recursos e tecnologias ambientalmente sustentáveis. Atualmente se reconhece como prioritária a produção de alimentos que fomente e garanta a Segurança Alimentar e Nutricional Nacional, mas se reconhece como igualmente prioritário o uso da terra e da água, de forma ecologicamente sustentável e com impactos sociais e ambientais positivos.

A Segurança Alimentar e Nutricional Nacional garante o direito de todos ao acesso a alimentos de qualidade, em quantidades suficiente e de modo permanente, com base em práticas alimentares saudáveis e sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais nem o sistema alimentar futuro, devendo se realizar em bases sustentáveis. 

O governo brasileiro disponibilizou recentemente o Guia Alimentar para a População Brasileira com as primeiras diretrizes alimentares oficiais para a população. A publicação orienta a alimentação saudável para previnir deficiências nutricionais, incluindo as de micronutrientes (fome oculta), e para aumentar a resistência a muitas doenças infecciosas em crianças e adultos. Acesse aqui.

Consulte feiras orgânicas e agroecológicas perto de você. Clique aqui. 

Atenção ao consumo de embutidos nas festividades de fim de ano


Salsicha, salame, presunto, mortadela e seus derivados. Eles estão nos supermercados, nas padarias e até nos lanches de alguns fast foods. Saborosos, práticos e variados, podem ser encontrados a base de aves (frango e peru) e carne. Mas, eles também são compostos por gordura saturada, sal, açúcares, nitrato, especiarias, conservantes e tripas. A gordura é um ingrediente bastante importante na elaboração dos embutidos , pois apesar dos seus efeitos negativos ela ajuda na qualidade sensorial. Já o sal, atua como conservante e na qualidade sensorial, apesar que em grandes quantidades torna as gorduras mais rançosas.

A professora do Departamento de Tecnologia de Alimentos da UNIRIO, Drª Maria Gabriela Bello Koblitz explica que reduzir o sal nesse alimentos ainda é um desafio: "O sal é um ingrediente de extrema importância em embutidos, pois é responsável pela solubilização das principais proteínas da carne (as proteínas miofibrilares), que são insolúveis em água pura. Sem sal essas proteínas não são devidamente extraídas e os produtos não adquirem as características desejadas, especialmente de textura e homogeneidade. Assim, mesmo que se deseje produzir embutidos com menor teor de sal, que sejam conservados de outras formas, a redução do sal ainda é um desafio tecnológico para a indústria produtora", frisou.


Os nitratos e nitritos ajudam na coloração e no aroma. As tripas contêm o resto dos ingredientes, condicionando à maturação do produto. A mistura destes ingredientes tornam os embutidos prejudiciais a saúde quando consumidos com frequência.

"Nitratos e nitritos, principais ingredientes dos sais de cura, são responsáveis pela estabilização da cor em produtos cárneos curados, pois reagem com a mioglobina da carne que, de outra forma, se degradaria rapidamente perdendo a cor avermelhada e ficando incolor ou até mesmo esverdeada. No entanto essa não é a única função desses componentes, eles são os principais responsáveis por controlar o desenvolvimento de microrganismos anaeróbios nos embutidos, especialmente o Clostridium botulinum, produtor da toxina botulínica, famosa como "Botox", mas que quando ingerida pode levar o consumidor à morte", explicou a Drª Maria Gabriela Bello Koblitz, acrescentando, "Nem todo embutido é consumido com a tripa. Um caso clássico é a salsicha, produto no qual a tripa é usada para dar a forma mas que depois é removida. Nesses casos, a tripa pode ser feita de material plástico não comestível e não contribui em nada para as características nutricionais do produto. Alguns produtos mais simples, como hambúrguer, nem mesmo utilizam tripa em qualquer momento da produção".



Outro ponto esclarecido por pela professora foi a questão dos embutidos causarem câncer. "Os dados epidemiológicos que ligam a incidência de câncer ao consumo de embutidos foram relacionados com duas características importantes desses produtos: a presença de nitrosaminas derivadas da adição de nitritos e nitratos e a presença de hidrocarbonetos poliaromáticos (HPAs) provenientes de fumaça de defumação. Em ambos os casos, pequenas alterações na tecnologia de produção são capazes de reduzir significativamente os fatores de risco. No caso dos nitritos, a adição de ácido ascórbico (vitamina C) aos sais de cura é capaz de minimizar e até impedir a formação de nitrosaminas no produto, ação creditada à atividade antioxidante dessa vitamina. No caso dos produtos defumados, o controle da temperatura de geração da fumaça (que deve ser mantida abaixo da temperatura de degradação da lignina da madeira - cerca de 350ºC) reduz ou evita a formação dos HPAs cancerígenos. Uma alternativa é o uso de fumaça líquida, produto obtido pela destilação e purificação da fumaça, que mantém suas características desejadas (sabor, aroma, atividade antioxidante e bacteriostática) porém elimina compostos tóxicos."



Além da professora do Departamento de Tecnologia de Alimentos da UNIRIO, Drª Maria Gabriela Bello Koblitz, o GEN ouviu a Nutricionista Clínica e Personal Diet, Kátia Marreiros para esclarecer outras dúvidas sobre embutidos. Confira as entrevistas abaixo.

GEN: Consumir embutidos representa perigo para a saúde?
Kátia Marreiros: "Sim. Os embutidos são carnes processadas com ingredientes como a gordura, o sal, os açúcares, nitratos e nitritos, especiarias, conservantes e as tripas. Logo, apresentam quantidades em excesso de sódio, conservantes,gordura saturada, que fazem mal à saúde, podendo levar a um desenvolvimento de colesterol alto, hipertensão arterial, doença cardiovascular, obesidade, etc. Além disso, se consumidos regularmente há aumento do risco do desenvolvimento de alguns tipos de câncer."

Maria Gabriela Bello Koblitz: "Dependendo da frequencia, do tipo de embutido e da forma como ele foi produzido, sim. Produtos curados (com adição de nitritos e nitratos) e defumados, dependendo da tecnologia empregada em sua produção, podem ser cancerígenos e, de uma forma geral, todos os produtos embutidos são ricos em gorduras saturadas e sal."


GEN: Qual a quantidade diária recomendada para consumo?
Kátia Marreiros: "Esse alimentos fazem parte do cardápio de todas as classes sociais e são cada vez mais expressivos o uso culinário. Porém, o ideal é tentar diminuir a ingestão destes alimentos para futuramente não prejudicar a saúde. Não existe quantidade recomendada do consumo desse tipo de alimento. O melhor para sua saúde é não os consumir"

Maria Gabriela Bello Koblitz: "Não acredito que esse valor já tenha sido determinado experimentalmente ou que haja alguma recomendação de agências de saúde dos governos nesse sentido. Para o consumo de embutidos, como para tudo mais, vale o bom senso: tudo de mais faz mal."


GEN: Na hora de comprar os embutidos no mercado/padaria o consumidor consegue identificar se estão em bom estado pelo aspecto?
Kátia Marreiros: "Quando esses produtos forem vendidos a granel, exija a comprovação de procedência e o prazo de validade. Manchas esverdeadas ou produto solto dentro do pacote indicam que houve entrada de ar e, por esta razão, o produto pode estar estragado. Linguiças, salsichas, mortadela, presunto, salsichão etc. não devem conter líquido na embalagem. A presença de sebo também indica que o produto já está entrando em decomposição."

Maria Gabriela Bello Koblitz: "Produtos cárneos, em geral, se deterioram por ação de bactérias. Essa atividade sobre os produtos se traduz na forma de odor desagradável (consequencia da formação de aminas de aroma tão ruim que são conhecidas pelos simpáticos nomes de cadaverina e putrescina, por ex.) e também pela produção de uma camada de polissacarídeos (uma goma) que dá um aspecto viscoso à superfície do produto. Algumas bactérias produzem gomas que dão aspecto furta-cor ao produto. Em geral, o gênero responsável por essa característica específica (Pseudomonas) não é patogênico nem particularmente danoso, mas a presença dessa goma furta-cor indica o desenvolvimento de microrganismos e, se tem um, pode ter outros."


GEN: Qual a maneira correta de se armazenar esses alimentos? é na geladeira? no congelador? em caixas de plastico, de aço?
Kátia Marreiros: "O congelamento deve ser feito em embalagem própria, em plástico não tóxico ou vidro, em proporções necessárias ao consumo imediato quando do descongelamento, retirando-se o ar retido dentro da embalagem. Uma vez descongelados, esses produtos não devem passar por novo congelamento."

Maria Gabriela Bello Koblitz: "A melhor forma de se evitar a deterioração de produtos embutidos é pela aplicação de armazenamento refrigerado. Quando um refrigerador industrial está disponível, a temperatura ideal é abaixo de 1ºC porém acima da temperatura de congelamento (que normalmente está em torno de -1,5ºC). No armazenamento doméstico esses produtos devem ser mantidos na parte mais fria da geladeira, sempre respeitando as instruções e o prazo de validade do fabricante. A maior parte dos embutidos pode ser congelada sem problemas, embora alguns produtos (presunto, por ex.) sofram importante perda d´água no descongelamento. Em geral, essa perda não leva à degradação do produto, mas altera sua textura e aparência e pode levar à rejeição do consumidor."

  • Quem quiser entrar em contato com a nutricionista Kátia Marreiros, pode ligar para (21) 82379969
  • Para maiores informações sobre a tecnologia de embutidos o leitor pode procurar o seguinte livro: ORDOÑEZ, J. A. e Col. Tecnologia de Alimentos vol 2. Alimentos de origem animal. Artmed Editora, 2005.